15/07/2013

Anatomia do Fofoqueiro e as consequências na Igreja

2Tm.2.17,18 - "..Além disso a linguagem deles corrói como câncer, entre os quais se incluem Himeneu e Fileto. Estes se desviaram da verdade, asseverando que a ressurreição já se realizou, e estão pervertendo a fé de alguem..."Satanás usa aFOFOCA para que o pecado da rebeldia entre no coração
do "crente". Depois de consumado na mente, o suposto crente,começa a abrir a sua boca contra tudo e conta a todos, usando como maledicência,a mentira,enganação,manipulação,as heresias e toda sorte de maldades arquitetadas no inferno,transformando a boca do "crente"
em uma fonte de água podre jorrando da garganta do Diabo. Desta forma o espírito do ANTiCRISTO é evidenciado e se cumpre o que está escrito em (1 jo.2.18   e 19).
18. Filhinhos, esta é a última hora; e, conforme ouvistes que vem o anticristo, já muitos anticristos se têm levantado; por onde conhecemos que é a última hora.
19. Saíram dentre nós, mas não eram dos nossos; porque, se fossem dos nossos, teriam permanecido conosco; mas todos eles saíram para que se manifestasse que não são dos nossos.
As 7 características do fofoqueiro.
1- Tem um olhar invejoso:Usa deste olhar para destruir com palavras malígnas os talentos que Deus levanta na Igreja.
2- Guarda a rebeldia dentro do seu coração:Tornando-se inimigo da Cruz de Cristo e dando ibope a as coisa do demonho.
3- Usa de palavras doces para convencer e destruir:(Pv.18.8).."As palavras do maldizente são doces bocados que descem para o mais interior do ventre"..
4- Alimenta-se de mentiras: É surdo espiritual. Ouve o mundo,mas não ouve a verdade.
5- Suas palavras alimentam os deformados: Destrói os imaturos na fé e  alimenta aqueles que lhe dar crédito e não ler a Bíblia.
6- Normalmente tem pecados ocultos: É um traço na vida do fofoqueiro.Sempre usa do que fala.
7- São covardes:Sempre falam as escondidas. Quando acossados pela verdade, fogem e usam a famosa expressão:"ouvi dizermas não sei que foi".Não prova nada. São apenas instrumento do diabo, razão pela qual o apóstolo Paulo orientou a Igreja de Coríntios que deveria entrega-los a Satanás.

As 7 consequência da fofoca.
1- Traz mágoas, destrói lares,destrói corações.
2- Traz contendas no mei do corpo de Cristo.
3- Traz divisões no meio do corpo de Cristo.
4- Traz inimizades no meio do corpo de cristo.
5- Traz paralisia nas atividades da Igreja.
6- Traz retrocesso no meio dos louvores e cânticos.
7- traz frieza e depois morte espiritual.
Está chegando ao fim desta batalha espiritual,todas as professias já
se cupriram, o anticristo já está reinabdo, a cegueira espiritual
está muito grande, a iniquidade já se multiplicou o amor já esfriou.
Jesus está de pé e os anjos estão com as trombetas em punho à boca
para soar. Eu digo ORA VEM SENHOR JESUS.!!!

14/07/2013

COMO IDENTIFICAR UM FARISEU

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I.       SÃO FRACOS NA FÉ

Os cristãos em Roma tinham dificuldades de distinguir o certo do errado, então Paulo os escreve dizendo:

“Acolhei ao servo que é débil na fé, não, porém, para discutir opiniões. 2 Um crê que tudo pode comer, mas o débil come legumes. 3 Quem come não despreze o que come; e o que não come não julgue o que come, porque Deus acolheu. 4 Quem és tu que julgas o servo alheio? 5 Um faz diferença entre dia e dia; outro julga iguais todos os dias. Cada um tenha opinião bem definida em sua própria mente. 6 Que distingue entre dia e dia para o Senhor o faz; e quem come para o Senhor come porque a Deus, porque dá graça a Deus; e quem não come e dá graças a Deus. 10 Tu, porém, porque julgas teu irmão? Pois todos compareceremos perante o tribunal de Deus. 15 Se, por causa de comida, o teu irmão se entristece, já não andas segundo o amor fraternal. Por causa da tua comida, não faças perecer aquele a favor de quem Cristo morreu” (Rm 14.1-6, 10, 15, 20).

Uma das características marcantes do ensino de Paulo é que ele sempre relaciona doutrina e dever, fé e conduta. No texto decorrente ele não apresenta aos seus leitores uma ética pessoal ou individual, mas estabelecer uma nova comunidade que Cristo estabeleceu com Sua morte e ressurreição.

Paulo acreditava que estes irmãos poderiam ser ascetas, irmão que teriam vindo do paganismo. Tal ascetismo poderia explicar a razão por que os fracos se abstinham da carne. Outra possibilidade é que os fracos seriam os legalistas, irmãos judeus (essênios), convertidos ao cristianismo.

Certos crentes de Roma estavam divididos entre si, no tocante a uma questão importante: alguns estavam resolvidos a comer somente legumes, ao passo que outros comiam, além de legumes, todos os demais alimentos, inclusive carne. Em função disto, Paulo dirige-se a ambos com palavras sábias e precisas a respeito de um assunto que os dividia – a ingestão de certos alimentos tidos como imundos. Paulo declara que o ato de comer, em si, não é problema moral, mas a nossa atitude pessoal sobre o que se come, pode levar ao injusto julgamento de uns com os outros.

[...] Segundo o professor Dunn, as tensões em Roma aconteciam “entre aqueles que se consideravam parte de um movimento essencialmente judaico – e conseqüentemente, viam-se obrigados a observar os costumes característicos e distintivos a um judeu – e aqueles que compartilhavam a compreensão de Paulo sobre um evangelho que transcendia a particularidade judaica”. Outra marca era observância do sábado. Assim o comer alimentos impuros e o violar o sábado encontrava-se no mesmo nível como as duas grandes marcas que denotavam a deslealdade com à aliança. Portanto conclui James Dunn, caracterizar Romanos 14-15 como “uma discução de ‘coisas não-essenciais’.... é perder a centralidade e a natureza crucial da questão da auto-compreensão do cristianismo primitivo”.

Um ponto interessante a ser destacado, no texto em estudo, é a diferença entre vários tipos de crentes na igreja em Roma. Isto significa que há, entre os filhos de Deus, diferentes níveis de conhecimento e de fé. Há os crentes meninos, os maduros, os carnais, os espirituais, os fracos, os fortes etc (Ef 4.14; 1ª Co 3.11; 1ª Co 8.11).

A igreja de Roma enfrentava um conflito entre os cristãos fracos e os fortes (1ª Co 8.7). Os fortes são os que conhecem a Palavra de Deus; os fracos ainda não alcançaram o verdadeiro entendimento das coisas espirituais.

Um crê que pode comer de tudo, pois a liberdade que Cristo lhe proporciona libertou-o de escrúpulos desnecessário com relação á comida; já outro, cuja fé é fraca, come apenas legumes. Isso acontece com certeza, não por ele ser vegetariano por princípios ou questões de saúde, mas porque o único jeito de provar ou garantir que ele nunca come carne impura segundo os ensinamentos que recebera da lei.

Como é que esses cristãos devem considerar um ao outro? Aquele que come de tudo (forte) não deve desprezar o que não come (que, em face de seus escrúpulos, é fraco), e aquele que não come de tudo (o fraco) não deve condenar aquele que come (que é forte em virtude de sua libertação).

Um dos problemas nas igrejas de hoje é: “os crentes fortes não suportam os fracos porque estão errados, e os fracos não suportam os fortes por que acham estar certos”.

É importante esclarecer que a “fraqueza” que Paulo refere não é uma franqueza de vontade de caráter, mas de fé; “débil na fé”, em outra tradução diz “fracos na fé”. Paulo procura mostrar que na igreja existem crentes fortes e crentes fracos.

São crentes vulneráveis, sensíveis, cheio de indecisões e escrúpulos. O que farta ao fraco não é força de vontade, mas liberdade de consciência.

A expressão “fraco na fé”, segundo Paulo, “atesta a falta ou incapacidade de compreender o princípio fundamental da fé e da justificação”, ou seja, a imaturidade. Os fracos na fé consideravam a observância e as abstenções de alimentos e boas obras, seriam necessárias para a salvação. Mas na carta aos Gálatas (1.8-9) Paulo emite um anátema solene contra qualquer um que ouse distorcer dessa forma o evangelho da graça.

Alguns achavam que comer carne era pecado, outros não. No tocante ao que comemos não irá afetar a nossa salvação. Paulo procura mostrar aos romanos que existem irmãos que são débeis na fé, porque ainda não receberam um alimento sólido.

Os reformadores do século XVI chamaram essas coisas de adiaphora, “questões de indiferença”, quer se tratasse de costumes e cerimônias, crenças secundárias que não faziam parte do evangelho ou do credo cristão.

A santidade não é algo visível, mas depende em primeiro lugar da conduta e mudança interior. Não se pode avaliar um irmão pela comida ou pelo vestuário.

[...] Não temos, hoje em dia, a mesma necessidade de discernimento. Não devemos exaltar as coisas não essenciais, essencialmente questões de costumes e rituais, ao nível do essencial, fazendo delas testes de ortodoxia e condição para a comunhão. Tampouco podemos subestimar questões teológicas ou morais fundamentais como se elas não importassem ou fossem apenas culturais. Paulo fazia distinção clara entre essas coisas; e nós deveríamos fazer o mesmo.

Quando o homem aceita a Cristo, sente imediatamente a necessidade de crescer no conhecimento da fé que abraçou e de desenvolver-se na salvação conforme nos ordena a Bíblia (Hb 5.11-14). Muitos infelizmente negligenciam a busca pelo crescimento espiritual. E a falta de conhecimento suscita uma infinidade de barreiras que acabam por comprometer o seu crescimento espiritual. O problema crucial é quando estas pessoas conseguem um lugar de destaque na igreja.

O cristão deve agir de acordo com sua própria consciência, que deve estar alinhada com a Palavra e iluminada pelo Espírito Santo.

Paulo não está tentando dissimular ou disfarçar aquilo que esses irmão e irmãs são. Eles são fracos na fé, imaturos, incultos e até equivocados. Mas nem por isso devemos ignorá-los, mas ensiná-los com um alimento sólido para que tenham um amadurecimento na fé. Implica o calor e a bondade que marcam o verdadeiro amor. Aquele que recebe alimentação sólida irá crescer e abandonar as tradições seculares.

“Não, porém, para discutir opiniões”. Convém refletirmos o princípio da aceitação sem discutir assuntos controvertidos. No original “diakriseis” pode significar discussões, debates, discórdia ou julgamento; já “dialogismoi” pode referir-se a opiniões, escrúpulos ou conflitos íntimos e ansiosos da consciência.

Paulo chega a deixar transparecer certo sarcasmo quando justapões: “Não destrua o reino de Deus por causa da comida: “Eu sei e estou persuadido, no Senhor Jesus, de que nenhuma coisa é de si mesma impura, salvo para aquele que assim a considera; para esse é impura. O Reino de Deus não é comida e nem bebida, mas justiça, paz, e alegria no Espírito Santo. Não destrua a obra de Deus por causa da comida. Todas as coisas, na verdade, são limpas, mas é mau para o homem o comer com escândalo” (Rm 14.14, 17, 20).

Para Paulo, nada (que não seja colocado na Palavra como pecado) é imundo em si mesmo (cf Mc 7.14-23; Tt 1.15).

A discussão na igreja de Roma nos dias de Paulo era entre os irmãos que ainda estavam apegados na lei de Moisés. Todavia, nos dias de hoje ainda existem igrejas que se apegam as tradições judaicas como doutrina. São “líderes espirituais” que seu estilo ascético de conduzir a igreja demonstra a falta de humildade e, uma falsa sabedoria que por sua vez provoca discórdias no meio da igreja, destruindo assim o reino de Deus.

Paulo diz que a fé vem pela pregação da Palavra ( Rm 10.17) e sem fé é impossível agradar a Deus. A Palavra acrescenta a nossa fé. É por isto que Paulo escreve aos romanos dizendo: “A fé que tens, tem-na para ti mesmo perante Deus. Bem-aventurado é aquele que não se condena naquilo que aprova” (Rm 14.22).

Tudo que você comer, beber ou vestir, vem de Deus e devemos fazer com ações de graça e para engrandecer Sua glória: “Portanto, quer, comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a Glória de Deus” (1ª Co 10.31).

O que o apóstolo desejava, em outras palavras, é que os cristãos romanos não julgassem uns aos outros por causa dessas coisas, mas se aceitassem mutuamente conforme Cristo ensinara. Cristo nos aceita do modo que somos. Paulo ensina que judeus e gentios devem amar uns aos outros, como também Cristo nos amou (Rm 15.7).

Somos imperfeitos. Se desejarmos, de fato, crescer e alcançar a perfeição exigida pela Palavra de Deus devemos acrescentar diariamente á nossa fé a virtude, e á virtude o conhecimento (2ª Pe 1.5).

Ora, se ainda não chegamos á estatura de varões perfeitos, como poderemos julgar nossos irmãos por causa de coisas insignificantes como acontecia os crentes romanos?

Somos membros de uma família. Como filhos de Deus, devemos cuidar uns dos outros e nos amarmos com amor que nos concede o Pai (1ª Jo 3.1). A Bíblia nos ensina que somos um só corpo: o corpo de Cristo (1ª Co 12.27) que está sendo edificado (Ef 4.12-15). Portanto acima de nossos direitos e desejos está o bem comum, o cuidado dos outros e o crescimento da Igreja do Senhor.

clip_image001II.    FALSOS ENSINOS COM RESPEITO AOS ALIMENTOS

“Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, pela hipocrisia dos que falam mentiras e que tem cauterizada a própria consciência, que proíbem o casamento e exigem abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos, com ações de graças, pelos fiéis e por quantos conhecem plenamente a verdade; pois tudo que Deus criou é bom, e, recebido com ações de graças, nada é recusável, porque, pela palavra de Deus e pela oração, é santificado. Expondo estas coisas aos irmãos, serás bom ministro de Cristo Jesus, alimentado com as palavras da fé e da boa doutrina que tens seguido” (1ª Tm 4.1-6).

O verdadeiro cristão dá ênfase às doutrinas de Deus e não as coisas secundárias, com respeito alimentação e vestiário, pois muitas vezes traz mais divisão do que edificação.

“Não vos deixe envolver por doutrinas várias e estranhas, porquanto o que vale é estar o coração confirmado com graça e não com alimentos, pois nunca tiveram proveito os que com isto se preocuparam” (Hb 13.9).

Na carta de Tito, porém ele diz: “Todas as coisas são puras para os puros, mas nada é puro para os contaminados e infiéis; antes, o seu entendimento e consciência estão contaminados” (Tt 1.10-15).

O cristão idôneo sabe que tudo foi Deus quem o criou. Sendo Deus o Criador, tudo é puro e perfeito desde que comemos com moderação.

“Porque toda criatura de Deus é boa, e não há nada que rejeitar, sendo recebido com ações de graças, porque, pela palavra de Deus e pela oração, é santificada. Propondo estas coisas aos irmãos, será bom ministro de Jesus Cristo, criado com as palavras da fé e da boa doutrina que tens seguido. Mas rejeita as fábulas profanas e de velhas e exercita-te a ti mesmo em piedade” (1ª Tm 4.4-7. RC).

Realmente os grupos não eram homogêneos; havia certa sobreposição. Somos todos irmãos, e não juízes. Isto não significa, porém, que não podemos julgar as questões surgidas entre nós. Este julgamento, no entanto, tem de ser conduzido conforme o recomendado por: “Não julgueis segundo a aparência, e sim pela reta justiça” (Jo 7.24). Aliás, escreve o apóstolo aos Coríntios que os santos hão de julgar os anjos (1ª Co 6.3). Mas que todo julgamento neste mundo deve ser segundo a reta justiça.

“Todos compareceremos perante o tribunal de Deus (Rm 14.10). Portanto, já que Deus é o Juiz e nós estamos entre os julgados, deixemos de julgar uns aos outros, pois assim evitaremos extrema insensatez de tentar usurpar a prerrogativa de Deus e antecipar o dia do juízo.

O objetivo maior de todo o crente deve ser o crescimento do Reino de Deus e a edificação da Igreja. Tudo o que o cristão vier a ser, ou a fazer, deve objetivar o desenvolvimento do corpo de Cristo, nunca para o seu prejuízo. Toda sua conduta deve ser guiada pelo amor aos demais irmãos.

clip_image002III. FALSOS IRMÃOS

“E isto por causa dos falsos irmãos que se entremeteram com o fim de espreitar a nossa liberdade que temos em Cristo Jesus e reduzir-nos à escravidão” (Gl 2.4; outra ref. 2ª Co 11.26).

Paulo chama os tais pregadores de falsos irmãos, pois estavam se intrometendo no meio da igreja para tirar a liberdade daqueles que tinham recebido a Cristo segundo a verdade, para uma vida de servidão humana, isto é, colocar um jugo severo sobre os seus seguidores.

Eram falsos, porque estavam dissolvendo o evangelho da graça num outro evangelho (Gl 1.6). Um evangelho de mistura com as crenças e ritos judaicos.

“Espreitar a nossa liberdade” significa: espionar, observar, indagar, espiar. Paulo aqui refere--se aos fariseus que estavam observando e espionando a vida dos outros, por exemplo: o que você come e o que você veste. Esquece que Jesus mandou primeiro tirar a trave do seu olho e deixar o argueiro do irmão (Mt 7.3). Existem certos crentes que estão sempre espionando os outros para acusarem.

IV. SÃO INSENSATOS

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“Ò insensatos gálatas! Quem vos fascinou para não obedecerdes á verdade, a vós, perante os olhos de quem Jesus Cristo foi já representado como crucificado? 2. Só queria saber isto de vós: Recebeste o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé? 3. Sois vós tão insensatos que, tendo começado pelo Espírito, acabais agora pela carne? 4. Será em vão que tenhais padecido tanto? Se é que isso também foi em vão. 5. Aquele, pois, que vos dá o Espírito e que opera maravilhas entre vós o faz pelas obras da lei ou pela pregação da fé? 10. Todos aqueles, pois que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque escrito está: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las” (Gl 3.1-5, 10).

Para os judaizantes convertidos em Roma, Paulo os chamou de fracos na fé, mas os judaizantes da Galáxia ele chama de falsos irmãos e insensatos (loucos).

O apóstolo Paulo ficou perplexo com a rapidez com que os crentes gálatas haviam se desviado da fé. Eram filhos da fé de Paulo, foram evangelizados e doutrinados pelo apóstolo. Tão depressa se desviaram para seguir a estranhos, e o pior, um evangelho contraditório.

Paulo começa a defesa de seu evangelho relembrando aos gálatas de que sua vida cristã, que teve início com Cristo crucificado e foi certificada pelo Espírito Santo, estava completamente separada da lei. Eles seriam tolos de abandonar o caminho de Deus e tentar alcançar a perfeição por seus próprios esforços.

A Bíblia Viva contém a seguinte leitura deste versículo: “Gálatas insensatos! Quem foi o feiticeiro que os sugestionou e pôs em vocês esse encantamento ruinoso? Em outras palavras: “Vocês enlouqueceram? Quem roubou a sua mente”? Paulo estava fora de si. Quem havia hipnotizado os gálatas antes completamente despertos?clip_image004
“Quem vos fascinou” (v.1). O verbo no original para “fascinar” é baskaino, e só aparece em todo Novo Testamento nesta passagem. Na literatura grega clássica da época tem o sentido de “enfeitiçar”. Os gálatas receberam o Espírito Santo quando creram na mensagem que Paulo pregou, e não pelas obras da lei. Era uma experiência extraordinária do poder transformador de Deus na vida deles. Como agora podiam trocar essa experiência verdadeira cristã por um evangelho espúrio e contrário ao que o apóstolo pregou? Estava agora estupefato com a insensatez (loucura) dos gálatas. Não podia crer que essa gente pudesse ser iludida, como se fosse mentira (Jo 8.44).

Os fariseus são como feiticeiros do mal, desviando os olhos de suas vítimas da cruz para a lei. Entretanto, os gálatas não têm desculpa, pois Paulo lhes deixou bem claro o significado da cruz. Os judeus consideravam Abraão como seu pai e fonte de suas bênçãos espirituais. Eles acreditavam que a simples ascendência física de Abraão os tornava justos. Paulo mostra que Abraão agradou a Deus pela fé e não por realizar obras da lei, uma vez que a lei não existia na época de Abraão. Ele também insiste que os verdadeiros filhos de Abraão, e herdeiros da bênção prometida, são aqueles que vivem pelo princípio da fé. Paulo apresenta as alternativas da fé (v. 11), e da lei (v. 12) como formas de justificação. Entretanto, ao invés de justificar, a lei mal diz (v. 10), pois faz exigências que ninguém pode cumprir.

O legalismo está fundamentado no uso inadequado da lei. Quando abraçamos o legalismo, abrimos a porta para a feitiçaria entrar nas nossas vidas. O legalismo libera uma feitiçaria, um fascínio demoníaco que se manifesta através da manipulação, da dominação e da intimidação, que roubam nossa sensibilidade e bom senso em relação ao Evangelho.

Ao invés de desenvolver uma comunhão entre os irmãos, o legalismo faz com que os líderes ajam com extrema severidade e sem misericórdia. Na igreja a pessoa legalista se irrita por questões insignificantes e amorais, fazendo com que a igreja se distraia do seu real propósito, e assim por diante.

Qual é o fruto do legalismo? Morte. Por isso, produzir fruto é uma questão de relacionamento e não esforço. Na verdade, o farisaísmo destrói o relacionamento e a unidade do corpo.

“Mas, quando não conhecíeis a Deus, servíeis aos que por natureza não são deuses. Mas agora, conhecendo a Deus ou, antes, sendo conhecidos de Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir? Guardais dias, e meses, e tempos, e anos. Receio de vós que haja eu trabalhado em vão para convosco” (Gl 4.8-11).

Paulo adverte aos cristãos da Galácia que estavam deixando o evangelho retornando os rudimentos pobres e fracos da lei. Ele declara que: voltar ao legalismo não seria melhor que voltar para a adoração pagã? Deus condena os pagãos como também condenou os fariseus seguidores da lei.

Nenhum crente é salvo por mérito ou porque praticou alguma boa obra ou porque observou algum principio da lei, ou porque segue as tradições humanas de seus líderes. Todos os crentes em Jesus foram justificados, isto é, aceito por Deus, mediante a fé em Jesus (Tt 3.5).

Paulo os chama de “insensatos”, mas no Versículo 10 de “malditos”. Paulo passa a mostrar à luz das Escrituras Sagradas, usadas pelos judaizantes, a maldição dos legalistas. Maldição é o contrário de benção. Todos aqueles, pois que são das obras da lei no verso dez, mostra que a maldição não se restringe apenas aos judaizantes. O Espírito Santo está mostrando que esta maldição é extensiva a todos os que procuram se justificar pelas obras da lei, ou aqueles que usam as tradições obrigatórias e primárias as Escrituras.

“E é evidente que, pela lei, ninguém será justificado diante de Deus, porque o justo viverá pela fé. Ora a lei não é fé, mas o homem que fizer estas coisas por elas viverá” (Gl 3.11-12).

O apóstolo apresenta outra realidade que os gálatas deviam conhecer e com ela podiam repudiar os judaizantes. As duas passagens do Antigo Testamento; “O justo viverá da fé” (Hb 2.4), e “o homem que fizer estas coisas por elas viverá” (Lv 18.5), no vv. 11 e 12, mostram a superioridade do evangelho.

Se não tivéssemos a posição firme do apóstolo Paulo, colocando a lei no seu devido lugar e explicando a superioridade do evangelho, o cristianismo, além de não ser religião distinta do judaísmo, não poderia ensinar a verdade da justificação dos pecados pela graça.

V.    SUBMETEM O POVO AOS SEUS COSTUMES

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“Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou pelos dias de festas, ou lua nova, ou sábado” (Cl 2.16).

[...] As duas primeiras palavras provavelmente se referem às regras judaicas sobre alimentação do Antigo Testamento, que os colossenses eram pressionados a observar como necessidade para a salvação pelos falsos mestres. E, ainda hoje, existem ministros que se intrometem na alimentação dos irmãos outros usam o sábado, usos e costumes como meio de salvação. São ministros débeis na fé, por falta de maturidade, instrução e conhecimento da Palavra de Deus.

Os falsos mestres, a quem o apóstolo se refere, estavam envolvidos com o legalismo judaico: circuncisão (Cl 2.11), preceitos dietéticos e guardas de dias (Cl 2.16). Há também várias referencias ao gnosticismo (Cl 2.18-23).

O verbo grego paralogizomai, que quer dizer “enganar, seduzir com raciocínios capciosos”, descreve com precisão a perícia dos falsos mestres na exposição de suas heresias. O nosso cuidado deve ser continuo para não nos tornarmos presas desses doutores do engano.

A guarda de dias de festas sagradas, ao lado dos sacrifícios requeridos na lei mosaica foram, com justiça, observados antes da vinda de Cristo. Eram parte do culto e dos sacrifícios na Antiga Aliança, como “sombra das coisas celestiais” (Cl 2.17; Hb 8.5), ou “uma alegoria para o tempo presente” (Hb 9.9), ou ainda “a sombra dos bens futuros e não a imagem exata das coisas (Hb 10.1), isto é, realidade prefigurada por eles, temo-la em Cristo. Tendo a Cristo, temos tudo o que carecemos. O cristão não precisa, pois, ficar preso a tais ordenanças, que eram sombra, ou tipos de Cristo, o antítipo, ou a realidade trazida à história. A vida do crente em Cristo é liberta de qualquer calendário escravizante, inclusive da guarda dos sábados, que era um concerto especial de Jeová com seu povo (Êx 31.13; Dt 5.12; Ez 20.12). Os cristãos guardam o domingo apenas como dia de descanso semanal. Nesse dia, o primeiro da semana, O Senhor Jesus (que é também o “Senhor do sábado”, Lc 6.5) ressuscitou (Mc 16.1-8). Os cristão primitivos conheciam esse dia como “o dia do Senhor” (Ap 1.10). A própria palavra “domingo” significa “dia do Senhor” [RENOVATO. Lições bíblicas – 3º Trimestre 2004].

1. Cristo é o árbitro do nosso coração. Paulo ao escrever sua carta aos romanos diz que somos justificados mediante a fé e temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo (Rm 5.1). Quando você é salvo lavado no sangue e justificado, passa a estar em paz com Deus. A paz de Deus provém de caminhar em obediência à vontade de Deus, pois Ele é o nosso arbitro: “Seja a paz de Cristo o árbitro em vosso coração, à qual, também, fostes chamados em um só corpo; e sedes agradecidos” (Cl 3.15). “E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus” (Fl 4.7).

É o Espírito Santo que é o nosso árbitro, pois é Ele quem fala em nossos corações. Nem Jesus como homem julgou a humanidade, mas disse: “Se alguém ouvir as minhas palavras e não as guardar, eu não o julgo; porque eu não vim para julgar o mundo, e sim para salvá-lo. Quem me rejeita e não recebe as minhas palavras tem quem o julgue; a própria palavra que tenho proferido, essa o julgará no último dia” (Jo 12.47-48).

2. . Palavra é o Seu Árbitro

Guardar é a palavra chave e significa: “Agir como árbitro”. A paz de Deus que excede todo entendimento agirá como árbitro.

A finalidade do árbitro é a de declarar as condições do jogo. Assim sendo, a paz de Deus deve agir como árbitro para dizer-nos se estamos certos ou errados. Quando a paz de Deus o deixa, é hora de parar e examinar a situação. Sabemos que é parte da promessa de Deus de guiar-nos continuamente, Ele nos dá a orientação para manter-nos na direção certa em nossa caminhada Cristã. Falamos de termos uma convicção interior do que Deus quer que façamos; da necessidade desta convicção estar em linha com as Escrituras; da confirmação profética para dar-nos direção; sabedoria dos conselhos de pessoas devotadas a Deus; de circunstâncias confirmadoras; do árbitro da paz de Deus; e finalmente, da provisão de Deus.

3. Intrometem-se, julgam e policiam a vida dos outros

“Portanto, por que é que você, que só come verduras e legumes, condena o seu irmão? E, você, que come de tudo, por que despreza o seu irmão? Pois todos nós estaremos diante de Deus para sermos julgados por ele” (Rm 13.10 – NTLH).

Não temos o direito de julgar os outros e condená-los, por um código humano. Todo o julgamento compete ao Senhor. Por isso Paulo diz: “Cada um dará conta de si mesmo” (Rm 14.12, 13), ou seja, iremos um dia comparecer diante do Tribunal de Deus. Deus constitui ministros para pregar o Evangelho, e não para serem “donos” do Evangelho. O verdadeiro ministro é um servo da Igreja de Cristo e não o dono da Igreja.

A religião farisaica dos tempos de Jesus usava o critério do julgamento humano, e Jesus é claro ao dizer para os fariseus:

“Não julgueis, para que não sejais julgados. Pois, com o critério com que julgardes, sereis julgados; e, com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também. Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu?” (Mt 7.1, 4).

“Não julgueis”. A palavra utilizada no original grego é Krino, e o significado, juiz. No texto original, a forma usada indica que Seus ouvintes precisavam parar de julgar. Para nos darmos bem com os outros, precisamos parar de julgar. (v. 1a).

Os escribas e os fariseus seguiam Jesus por onde quer que Ele fosse na tentativa de achar alguma falha para acusá-Lo (Lucas 6.1–7). Por esta razão Jesus traz este assunto sobre o julgamento.

Sendo assim, no Sermão do Monte, Jesus fez muitas referências a eles, direta e indiretamente. Em Mateus 5.20, Ele disse: “… se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus”. Jesus ensina a Seus discípulos, que a justiça dos fariseus estava baseada em religiosidade e não em atos de fé e de amor. Na última parte do capítulo 5, Cristo contrastou o Seu ensino com as tradições relativas à lei; essas tradições foram perpetuadas pelos fariseus. Na primeira parte do capítulo 6, Jesus falou de hipócritas que tocavam trombetas quando davam esmolas, que oravam em praças públicas com repetições intermináveis, que queriam que todos soubessem quando jejuavam. Qualquer um teria identificado os fariseus nessas descrições de Jesus.

Os escribas e fariseus eram culpados do tipo de julgamento que Jesus estava denunciando. Eles condenavam grandes segmentos da sociedade: os cobradores de impostos (Lucas 18.9–14), os samaritanos e os gentios. Além disso, eles se consideravam superiores a todos os demais. Olhavam com desprezo para os outros e tinham pouca compaixão dos outros. Se quisermos nos dar bem com os outros, nossa justiça terá de exceder a dos escribas e fariseus”.

A palavra grega krinete, aqui traduzida como “julgar”, pode conter, tanto no grego como no português, uma extensa escala de significados, desde discernimento até condenação.O contexto aponta claramente para este último sentido. Nem o exercício de uma judiciosa discriminação (exigida claramente por Mateus 7.6, 15-20), nem a existência de tribunais de justiça está sendo proibidos. É um espírito condenatório sem misericórdia que Jesus rejeita. Isto é corroborado pelo material paralelo em Lucas, onde a advertência contra o julgar os outros é precedida pela positiva: “Sede misericordiosos, como também misericordioso é vosso Pai” (6.36). Nesta admoestação, Jesus volta ao tema do amor fraternal, que atingiu o clímax em Mateus 5.43-48. No relato de Lucas do Sermão, os dois trechos são imediatamente juntados (6.27-38). O ponto de nosso Senhor é que pessoas tão necessitadas de misericórdia não têm nenhum direito para ser tão sem misericórdia com os outros. Esta advertência é apenas a face oposta de sua promessa anterior, que aqueles que mostram misericórdia receberão misericórdia (Mt 5.7) e aqueles que perdoam serão perdoados (Mt 6.12). Aqueles que condenam outros sem compaixão ou intento redentor podem esperar o mesmo tratamento nas mãos de Deus. Quem ousa julgar aos outros, sofrerá a conseqüência dessa usurpação de poder, pois também virá a ser julgado pela mesma medida - e achado em falta.

Cristo não está abolindo a necessidade do exercício do discernimento e de fazermos avaliação dos pecados dos outros. O crente é ordenado a identificar aqueles que são falsos na Igreja (Mt 7.15) e avaliar o caráter de certas pessoas.

Não é proibido o uso de critérios sãos. O que não devemos é nos sentir “donos” da Igreja de Cristo e julgá-la pelos nossos costumes e regras. O cristão quando julga seu irmão está condenando a si mesmo. Quem somos nós seres humanos para julgar e condenar um irmão a nosso bel-prazer? A Palavra nos ensina que não devemos nem levar um irmão a juízo quanto mais julgar com critério rígido.

Nosso próprio acurado entendimento da justiça do reino não deverá produzir em nós um espírito de julgamento áspero e reprovador contra aqueles que estão tendo uma luta em servir a Cristo. Os homens precisam ser ajudados a ver a natureza da verdadeira justiça, mas não por um descuidado e convencido hipócrita que está mais preocupado com os pecados alheios do que com os próprios. Se o sermão for aplicado primeiro em casa, facilmente encontraremos a compaixão e a humildade para tratar dos pecados alheios (7.1-5).

O reino de Deus não é propagado por um cego fanatismo mais do que pelo exercício de uma árida crítica. O filho do reino está em busca daqueles cuja atitude torna-os maduros para receber as boas novas da redenção, e não de homens e mulheres cujo orgulho impossibilita-os de ouvir e entender (7.6).

E finalmente, o reino não é obtido por esforços heróicos e meritórias realizações, mas simplesmente por pedi-lo com seriedade. O reino é uma dádiva do amor de Deus (7.7-12).

4. Julgamento egoísta

“Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio?” (Mateus 7.3-5).

[...] Porque o tipo de julgamento em discussão é sem amor e egoísta, ele é freqüentemente acompanhado de hipocrisia. Por esta razão, Jesus pinta o quadro patético e humorístico de um homem tentando extrair um grão de areia do olho de outro, enquanto uma trave está saliente no seu. Espiritualmente falando, há uma grande quantidade destes cegos oculistas que estão muito preocupados em ver as faltas dos outros e estão esquecidos da enormidade das próprias. Afortunadamente, uma séria atenção com nossos próprios erros têm o efeito de nos equipar com humildade suficiente para tratar paciente e habilmente com os pecados alheios (Gl 6.1-3; Tt 3.2-3).

O ensinamento de Jesus contém muita repreensão (por exemplo, Mateus 23 e o texto presente), entretanto, nunca áspera ou severa. Como o próprio Senhor observou, “Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” (Jo 3.17). E esta é a chave. Não é a reprovação amorosa e que resgata que o Senhor rejeita aqui, mas os ataques sem amor que servem somente para alimentar o ego do “juiz”.

O evangelho da graça não pode ser pregado sem convencer os homens do pecado (Jo 16.8) e chamá-los a mudar o coração (Lu 24.47; At 2.38; 3.19; 17.30). Mesmo as almas do povo redimido de Deus não podem ser protegidas sem se admoestar os insubmissos (1ª Ts 5.14) e procurar converter “o pecador do seu caminho errado” (Tg 5.19-20). Mas tal correção é oferecida com amor que redime, não como o veículo do orgulho e da ira. A justiça do reino adverte, mas não ataca. Os cidadãos do reino de Deus, lutando com seus pecados e assediados por fraquezas, necessitam de um irmão e não de um “juiz”. Em todos os nossos tratos com outros, precisamos lembrar que não somos agentes do julgamento do Senhor, mas de sua salvação. A vingança pertence ao Senhor. Nossa tarefa é buscar e salvar o perdido.

5. Condena a si mesmo

“Portanto, és indesculpável, ó homem, quando julgas, quem quer que sejas; porque, no que julgas a outro, a ti mesmo te condenas; pois praticas as próprias coisas que condena Bem sabemos que o juízo de Deus é segundo a verdade contra os que praticam tais coisas. Tu, ó homem, que condenas os que praticam tais coisas e fazes as mesmas, pensas que te livrarás do juízo de Deus? Ou desprezas a riqueza da sua bondade, e tolerância, e longanimidade, ignorando que a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento? Mas, segundo a tua dureza e coração impenitente, acumulas contra ti mesmo ira para o dia da ira e da revelação do justo juízo de Deus, que retribuirá a cada um segundo o seu procedimento: a vida eterna aos que, perseverando em fazer o bem, procuram glória, honra e incorruptibilidade; mas ira e indignação aos facciosos, que desobedecem à verdade e obedecem à injustiça. Tribulação e angústia virão sobre a alma de qualquer homem que faz o mal, ao judeu primeiro e também ao grego; glória, porém, e honra, e paz a todo aquele que pratica o bem, ao judeu primeiro e também ao grego. Porque para com Deus não há acepção de pessoas” (Romanos 2.1-11).

No capítulo dois de Romanos, Paulo confronta os moralistas judiciais, que condenam a si mesmo naquilo em que julgam. Estão sempre apontando um dedo para alguém.

O que são os juízes moralistas? Qualquer pessoa que filtre a graça de Deus através de sua opinião pessoal, ou que dilua a misericórdia de Deus em seu próprio preconceito, como o irmão do filho pródigo que não quis comparecer à festa (Lc 15.11-32), ou o trabalhador de dez horas frustrado porque apenas uma hora ganhou o mesmo salário (Mt 20.1-16). É o sensor obcecado em julgar a vida de seu irmão, e esquecido dos seus próprios erros.

Paulo vê, conseqüentemente, o judaísmo e o paganismo como uma só coisa. Sem a graça e a misericórdia de Deus estão todos perdidos.

Paulo explica nestes versículos, uma estranha fraqueza humana: a tendência que temos de criticar todo mundo, à exceção de nós mesmo.

Quem julga já está condenando a si próprio. Além do mais, Paulo argumenta, agindo dessa forma nós nos expomos ao juízo de Deus e acabamos ficando sem desculpa nem saída. Como podemos julgar se não somos Deus para conhecer o interior de alguém? Somente Deus tem o critério certo de julgar as pessoas. O homem não é aceito por Deus por guardar a lei exteriormente, mas pela renovação interior e a santificação, através do Espírito Santo.

Se você “acha que pode julgar os outros” (Rm 2.1), Paulo tem um duro lembrete a você. Não lhe cabe a função de segurar o martelo. “E bem sabemos que o juízo de Deus é segundo a verdade contra os que praticam tais coisas” (v. 2).

“É indesculpável, imperdoável aquele que julga o seu irmão” (v. 1). Está condenando a si mesmo (v. 1). “E praticas as próprias coisas que condenas” (v. 1). Receberá maior Juízo (v.2-3). Despreza o fruto do amor (v.4). Tem um coração duro, e mau (v. 6). É faccioso e desobediente à Verdade (v. 8) São injustos (v. 8). Fazem acepção de pessoas (v. 11).

È importante ficar alerta em relação às pessoas que vivem enfatizando as falhas dos demais, porque estas falhas que eles denunciam são exatamente os problemas que eles mesmos estão lutando em suas vidas! Quando julgamos temerariamente aos outros, na verdade, revelamos o nosso próprio coração.

Enganamo-nos a nós mesmos quando, por orgulho e vaidade, julgamo-nos superiores ou mais capazes do que os demais. Em tudo que presenciamos colocamos defeitos e cremos que poderíamos fazer muito melhor. Mostramos contrariedade quando somos preteridos e não entendemos o porquê de outros serem escolhidos quando nós seríamos as pessoas indicadas para aquela função. Só conseguimos enxergar as nossas qualidades e os defeitos dos que estão ao nosso redor.

Julgamos e condenamos outras pessoas (o que como seres humanos, não temos o mínimo direito de fazer), especialmente quando deixamos de condenar a nós mesmo. É isso que se chama de hipocrisia de duas medidas: um alto padrão para os outros e um comodamente baixo para nós [STOTT. P. 91].

Assim como queremos que Deus não nos condene, também não podemos condenar o irmão por qualquer coisa que ele tenha feito, por pior que tenha sido, a Deus cabe o julgamento, “porque Deus não faz distinção de pessoas” (Rm 2.11).

Deus conhece o coração do homem e sempre julga conforme sua justiça e amor. Ele não julga como nós julgamos ou entendemos. O nosso julgamento precisa ser transformado em acolhimento, amor, alegria e justiça. Nossos pensamentos não são os pensamentos do Senhor. Não queiramos olhar para Deus com parâmetros humanos.

Por causa do nosso julgamento, muitas vezes, estamos nos afastando de Deus e as pessoas de nós e de Deus. Porque se vermos uma pessoa diferente se aproximando e entrando na Igreja, temos logo um juízo temerário e a condenamos, atribuímos muitas vezes coisas que aquela pessoa nem é – como, por exemplo, prostituta, ladrão etc, sem realmente ter conhecimento de sua vida ou passado.

Julgamos que somos mais competentes do que Deus para escolher pessoas para determinadas funções. Não aceitamos o fato do Senhor ter Seus propósitos. Ele não olha para o que podemos fazer e sim para o que pode fazer através de nós. E, para qualquer serviço espiritual, mais vale a obediência e a humildade de aceitar a vontade de Deus do que a prepotência de alguém achar que pode fazer qualquer coisa segundo sua própria vontade. Não somos nada e nada podemos fazer se a graça do Senhor não estiver sobre nós.

Transcrito

13/07/2013

A DOUTRINA DA PROVIDÊNCIA DIVINA

 
Providencia_DivinaA palavra “PROVIDENCIA” significa previsão previdência,: o cuidado de Deus com suas criaturas; a soberania ou direção divina para e sobre sua criação. Provisão e previdência implica um fim, um alvo e um plano definido para atingir aquele alvo.
Todas as criaturas exercem providência
Todos os seres racionais agem fazendo uso da previdência e da provisão. Estes são atributos naturais , inerentes ao homem. Até mesmo os animais cuidam as sua prole e lhes provém o sustento. Quanto mais o Deus infinito proverá e terá infinito cuidado com sua criação?
Embora todos os seres racionais exerçam providência de acordo com suas possibilidades, a palavra atinge seu pleno significado apenas quando é aplicada ao Deus infinito. A providência de Deus é o cuidado, a preservação e o governo que Ele exerce sobre todas as coisas que criou, a fim de que cumpram todo o proposito para o qual foram criadas. É o infinito cuidado de Deus sobre o universo, desde o número de cabelos em cada cabeça e a queda de todo pardal, até a sustentação de vastos universos pelo seu próprio poder. É o seu eterno poder que age impedindo toda sorte, acaso ou coincidência.
Três aspectos de abrangência da providência
1. Universal, com relação a todas s coisas;
2. Especial, em relação a seres morais;
3. Particular, em relação a seres convertidos.
Cinco aspectos da esfera da providência divina
1. O universo material (Jó 37-38; Sal. 19.1-6; 68.9-13; 103.19; 104.10-30; 107.1-43; 135.6-7; 136.4-9; At. 14.17).
2. O mundo vegetal (Gen. 1.29; 2.16,17; Lv. 26.4-10; Sl. 65.9-13; 104.10-30).
3. O mundo animal (Jó 38.41; Sl. 104.10-30; 136.25; Mat. 6.26-30).
4. O mundo racional dos seres espirituais.
5. O mundo racional dos seres carnais.
Promessas para as necessidades do homem
Todas as promessas de Deus revelam que Ele providenciou o cuidado do homem para esta vida aqui e agora, apesar da maldição. Todos podem desfrutar ao máximo de todos os benefícios destas promessas, se renderem suas vidas a Deus, experimentarem o novo nascimento e viverem neste mundo uma vida santificada, em obediência ao evangelho de Cristo. Muitos destes benefícios se aplicam até mesmo aos não salvos, de forma a provar a eles que Deus cuida de toda a criação, apesar de sua rebeldia. O propósito de tal bondade para com os não salvos é conduzi-los ao arrependimento ( Rom. 2.4).
Os seguintes textos ensinam que é vontade de Deus que o homem seja abençoado:
1. Prosperidade: (Js. 1.5-9; 1ªSam.2.7-8; 1ªRs. 2;3-4; 1ª Cron. 29.12; Ed. 8.22; Jó 36.11; Sal. 1.1-3; Mat. 6.31-33; 7.7-11; Mac. 11-22-24; Jo.15.7,16; 2ª Cor. 9;6-8; Fp. 4.19; 3ªJo.2).
2. Cura e saúde: (Êx.15.26; Sal 91; 103.3-5; Is.53.4-5; 58.8; Mat. 8.16,17; Tg. 5.14-16; 1ªPd.2.24; 3ªJo.2). Cristo veio “destruir as obras do Diabo” (1ªJo 3.8) e “libertar todos os oprimidos do Diabo” (At 10.38). Ele veio fazer estas coisas não somente nos três anos e meio de seu ministério, mas para sempre. Ele comissionou os discípulos para levar adiante a obra que Ele começou a fazer e a ensinar ( Mt.28.19,20; Mc. 16.15-20; Jo 14.12-15; At. 1.1,2,8). Os primeiros crentes continuaram esta obra até que perderam a fé(At.3; 5.16; Tg 5.14-26). Os cristãos da atualidade devem lutar pela fé outrora entregue aos santos (Jd 3; 2ª Cor 10.4-6;Ef 6.10-18).
3. Carências e necessidades ( Sl. 23.1-6; 34.9,10; 37.3-6; 84.11; Mc 9.23; 11.22-24; Jo 14.12-15; 15.7,16; 16.23-26; 1ªJo 3.21,22; 5.14,15).
Provas da providência divina
1. As Escrituras provam que a providência divina tem agido em todas as eras e em todas as questões humanas. Foi a providência que originalmente trouxe todas as coisas à existência (Is 45.18; Cl 1.15-19)., que garantiu a redenção após a queda (Gn 3.15; Ef.1.1-11); que preservou a raça humana após o dilúvio (Gn 6.8-8.220 e que lidou com os homens em cada dispensação, dando-lhe a oportunidade de fazer o bem em todas as épocas.
2. A preservação e todas as coisas desde a criação do homem prova que a providência de Deus está agindo em todas as coisas segundo o conselho da sua própria vontade.
3. O amor de Deus, ao criar e redimir todas as coisas prova o seu desejo de preservar a criação e. finalmente, reconciliá-la consigo mesmo.
4. O predomínio da ordem em todas as coisas comprova a providência divina. Podemos ver leis eternas e preestabelecidas controlando tudo na criação, evidenciando a existência de um Governante e Preservador de todas as coisas.
5. A história tem muitos registros de provas ilimitadas da providência divina em todas as coisas. O que vem acontecendo não é resultado do acaso, num mundo abandonado a própria sorte. Sempre houve e sempre haverá um poder sobrenatural conduzindo as questões de toda a criação, de acordo com um plano preestabelecido.
6. A religião prova a providencia divina, já que os homens, em todas as eras encontraram a Deus por meio do exercício de faculdades religiosas em concordância com a vontade revelada de Deus na bíblia.
7. A inteligência comum de todos os seres racionais prova que há uma providência divina. Ela não pode ser negada pelos homens equilibrados e sadios; visto que eles a experimentam na sua própria vida de muitas maneiras.
Propósito supremo da providência
O propósito de Deus foi criar uma raça de seres que pudessem desfrutar do mais alto nível de felicidade no mais alto nível de santidade e que, em proporção à sua maior santidade e felicidade, pudessem glorificar ao seu Criador. (Gn 1.26-28; Is 43.7; 45.18; Ef 1.12; Cl 1.15-22; Ap 4.9-11; 5.11-14; 7.10-12).
Interpretando a providência divina
A experiência e observação nos alertam contra a pressa e autoconfiança demasiada na nossa interpretação dos acontecimentos da vida. Se homens maus são acometidos de enfermidades, algumas pessoas se apressam em afirmar que se trata do castigo de Deus. Por outro lado, se as mesmas coisas acontecem a homens bons, estas pessoas rapidamente lançam toda a culpa no Diabo. As interpretações humanas falham com tanta frequência que é sábio não interpretar acontecimentos da vida alheia.
Não devemos agir com tais tipos de “analise”, pois corremos sério risco de cairmos em condenação com tais julgamentos. Devemos, contudo, entendermos que Deus está no comando de todas as coisas. Se alguém, bom ou mal, estiver com problemas, precisamos deixar conceitos mesquinhos d elado, e orar, pois ali está uma alma que precisa de um milagre, e quem somos nós para definir que alguém é bom ou ruim, que merece ou não o agir de Deus a seu favor? Temos que lembrar do exemplo do sol, que brilha para todos, bons e maus.
Deus, na sua infinita onisciência, é quem está apto a julgar A ou B.
A providência divina é para todos que nela crêem... o “crer” esta além da bondade ou maldade moral de quem quer que seja.
FONTE: BIBLIA DAKE, COM ACRÉSCIMOS PESSOAIS.

12/07/2013

Vale a pena ler de novo: PASTORES DE SÍ MESMOS



Infelizmente nós estamos mergulhados em uma crise de vocação ministerial sem fim. Ser pastor em uma sociedade como a nossa, não é uma tarefa fácil, bem da verdade que se tornou uma árdua tarefa. A nossa geração precisa ter consciência que os desafios que nos são propostos são particulares a nossa geração. Cada geração é responsável pela sua geração.

Vivemos em dias desafiadores, dias de alta tecnologia, da velocidade de informações, da busca de soluções imediatas, dias onde “nada” é absoluto, mas tudo tem sido levado ao crivo do relativismo. Uma das coisas mais difíceis que há em nossos dias, é encontrar uma igreja autentica, sem o verniz da aparência por cima de um arcabouço cavo, oco. Os pastores sentem-se sem ânimos, vencidos pela modernidade das igrejas tecnológicas, pastores que outrora eram referencias para sua geração, são postos de canto em detrimento das inovações juvenis, alguns até irresponsáveis. Os dias em que vivemos são reflexos do século XXI, um século permeado de desafios.

No meio desses desafios surgem outros, como por exemplo, o de continuar sendo pastor, em uma sociedade que não tem como característica a busca pelo divino, em uma sociedade que é caracterizada pela busca da espiritualidade fora de Deus. A banalização e secularização do sagrado fazem com que as pessoas não valorizem o ministério como algo que acontece por vocação e sim por ambição. Ser pastor, não traz mais cunho de vocação, mas de uma oportunidade para sucesso e fama no meio “gospel”.

A maior desilusão é quando encontramos pastores que abdicaram da verdadeira vocação para com o rebanho de Deus, e passaram a apascentarem a si mesmos. Sim, pastores que fazem das igrejas extensão de si mesmos, onde o apascentar o rebanho de Deus, tornou-se secundário. Isso não é novo, na verdade é uma problemática antiga que contribuiu para o desmoronamento do sistema religioso de Israel, a voz de Deus pôde ser ouvida através do profeta Ezequiel no cativeiro Babilônico que disse:
 “Filho do homem, profetiza contra os pastores de Israel; profetiza e dize-lhes: Assim diz o SENHOR Deus: Ai dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos! Não apascentarão os pastores as ovelhas?” (Ez 34.2).

Nos tempos onde as crises alçavam altos picos, em um ambiente fértil que germinava nas pessoas a busca pelos seus próprios interesses, o profeta denúncia esse mesmo sentimento no coração dos pastores que haviam abandonado o rebanho e estavam apascentando a si mesmos.

Características dos pastores de si mesmos

O assunto não pode ser tratado de forma simplista, mesmo porque existem muitos pontos a serem considerados, porém, quero destacar aqui pelo menos quatro características que identificam pastores que inclinam-se a apascentar-se a si mesmos.

1. Se preocupam apenas com si mesmos. 
Existe uma linha muito tênue entre “cuida-te de ti mesmo” e apascentar a si mesmo. Porque a necessidade do cuidado pessoal para a vida é obrigação do obreiro, existem várias exortações bíblicas que nos apontam para esse cuidado, Paulo disse a Timóteo: “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina...” (I Tm 4.16), porém, não podemos fazer uma coisa como desculpa para abandonar outra. Há pastores que se preocupam em engodarem-se as custas do rebanho, sem critério algum, causando estragos sem precedentes. É um fato muito triste ver como alguns rebanhos são subjugados e extorquidos, em lugares onde se mercadejam as bênçãos de Deus.

Ultimamente temos visto grandes exemplos através dos pastores midiáticos que tem explorado o rebanho de Cristo sem o mínimo de misericórdia, alimentando seus egos e seus projetos “megalomaníacos”.

2. Abandonam o rebanho. 
Uma das coisas mais tristes que há é ver como os rebanhos estão abandonados, perdidos e desorientados. Rebanhos sem pastores, rebanhos que são levados de um lado para o outro por ventos de doutrina, buscando algo que possa saciar sua alma, pois os pastores estão demasiadamente ocupados e não podem atendê-los. Jesus lamentou sobre a condição do rebanho de Israel que tinha uma religião bem resolvida e que gozava de certo status junto ao império, quando disse: “Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor” (Mt 9.36).

Muitas pessoas literalmente abandonadas e aflitas. Muitas vezes, porque a ocupação que parece ser demasiada, nada mais é do que necessidade de parecer importante. Eugene Peterson diz o seguinte:

“Que maneira melhor do que ser ocupado? As horas incríveis, os horários cheios,
e as pesadas demandas no meu tempo provam para mim mesmo – e para todos que
observarem que sou importante”.

O trabalho pastoral vai muito além dos cultos de domingos, as necessidades são alarmantes, urgentes e imediatas.

3. Usam o rebanho como meio para fins.
O rebanho de Cristo é o fim em si mesmo, porque foi por pessoas de todas as tribos, raças e nações que Jesus morreu na cruz e não por projetos que aparentemente viabilizam o alcance de “almas”. Precisamos analisar com temor e tremor as palavras do apóstolo Pedro: “Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição [...]também, movidos por avareza, farão comércio de vós, com palavras fictícias; para eles o juízo lavrado há longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme” (II Pe 2.1,3). Infelizmente muitos pastores vêem o rebanho como clientes e não como ovelhas, pessoas que buscam O Caminho, e simplesmente, dissimulam a verdade. Uma ocasião um seminarista me perguntou qual era a diferença da administração de uma empresa para administração de uma igreja, e eu respondi com poucas palavras: - “Administrar uma empresa é ver as pessoas como um meio para se chegar a um fim, que é o lucro. E, administrar uma igreja é enxergar as pessoas como o fim em si mesmo”. Porque foi por nós que Jesus morreu. Por isso, devemos usar todas estruturas envolvidas para que vidas sejam alcançadas e trazidas aos pés do Bispo das nossas almas, Jesus.

4. Vivem do rebanho, mas não cuidam do rebanho.
Muitos ainda esbarram em uma pergunta antiga: O pastor deve ser remunerado? Acredito que a Bíblia tenha respostas claras para essa questão e reforçando a idéia que sim (I Co 9; II Tm 2.6,7). Mas o fato é que, se vivem assalariados pela obra, devem viver para a obra. E que obra é essa? Cuidar verdadeiramente do rebanho. O Profeta Ezequiel novamente aparece no cenário com a exortação: “Comeis a gordura, vestis-vos da lã e degolais o cevado; mas não apascentais as ovelhas” (Ezequiel 34.3).

Infelizmente há pastores que evocam para si direitos especiais, mas que por outro lado não cumprem com o dever, o de apascentar o rebanho de Deus.

Desenvolvendo a vocação com autenticidade

Em tempos assim, é difícil de se identificar qual o modelo de pastor a seguir. Falta-nos referenciais e exemplos a serem seguidos. Pois, hoje, é preciso uma renovação de entendimento para que venhamos a sair da masmorra secularizada em que está mergulhada a nossa geração. Como superar esse momento e reformular em algum nível, alguns modelos pastorais existentes em nossos dias? Como pregando a outros, nós mesmos não venhamos ser reprovados no exercício pastoral?

Em primeiro lugar, é necessário ter em mente que o rebanho é de Cristo.
Há uma certa tendência dos pastores sentirem-se donos dos rebanhos, e querer usufruir desse direito para fazer o que bem entender. O escritor Colin S. Smith diz o seguinte:


“...O uso do nome de Deus por líderes espirituais com o intuito de confirmar as
próprias idéias é pura exploração e torna-se uma forma de chantagem espiritual.
É uma ofensa contra Deus e um pecado que ele não considera superficial” .

Essa é uma tendência que escamoteia o rebanho e leva apodera-se do mesmo. Porém, quando lembramos a nós mesmos que o rebanho é de Cristo, a noção muda, o ministério e a vocação tomam outro significado. O apóstolo Pedro diz: “pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos do rebanho” (I Pe 5.2,3).
O rebanho foi confiado pelo próprio Jesus Cristo, e jamais podemos querer apropriar-nos dele. Cristo é o Bom pastor que dá a vida pelas suas ovelhas. Nós podemos construir a infra-estrutura, mas as pessoas, continuam sendo do “...Bispo e Pastor das vossas almas” ( I Pe 2.25).

Em segundo lugar, é preciso desenvolver a chamada por vocação. 
Poucos pastores têm a certeza da vocação. Muitos foram lançados na arena e deixados ao leu, sem estrutura ou convicção da própria chamada. Outros são abandonados à própria sorte, tendo que lutar, muitas vezes sozinho com dificuldades existenciais esmagadoras. Infelizmente tem crescido o número de pastores que cometem suicídio e que tem desistido de tudo, do chamado e até mesmo da vida. O apóstolo Paulo sabia que para pregar o Evangelho de Cristo e pastorear o rebanho de Deus, tinha que ser vocacionado, e por isso, afirmou dizendo: “Porém em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus” (At 20.24).

O apóstolo Pedro parou de hesitar em seguir a Jesus e entender qual era sua vocação, não apenas depois do Pentecostes, mas depois que Jesus mirou os seus olhos, e lhe pediu a maior prova de amor que ele poderia demonstrar que era: “apascentando o seu rebanho” (Jo 21.15-17). Um chamado à vocação.

A vocação para o ministério não envolve fracasso profissional em dimensões seculares, projeção publica através do ministério e do rebanho. Não! Mas sim, uma vida de entrega a Jesus, tendo plena convicção que o seu chamado não foi dado pelos homens e sim pelo próprio Jesus, que deu uns também para pastores “...tendo em vista o aperfeiçoamento dos santos” (Ef 4.12). Tenha consciência que os profetas, apóstolos, bispos, presbíteros e pastores que a Bíblia Sagrada menciona, superaram os mais diversos obstáculos, porque eles sabiam em quem estavam crendo. Para eles, viver era atender a vocação que Deus os confiou, de maneira que de alguns deles, o escritor aos Hebreus confirma: “homens dos quais o mundo não era digno...” (Hb 11.38).

Em terceiro lugar, deve considerar que um dia será chamado à prestação de contas.
Nenhum pastor pode ignorar essa verdade, seremos chamados à prestação de contas do rebanho que nos foi confiado. O escritor aos Hebreus diz: “Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas, para que façam isto com alegria e não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros”. (Hb 13.17). Já vi muitos pastores fazendo menção desse versículo apenas para exigir submissão e obediência, porém, esquecendo-se que, não passa desapercebido o texto que diz: “...como quem deve prestar contas...”. Essa é uma responsabilidade unânime no ministério pastoral, e que deve ser encarada com zelo e com amor. Foi com essa consciência que o apóstolo Paulo afirmou para os Tessalonicenses que tinha agido como uma mãe e como um pai com a igreja (I Ts 2.7,11).

Por último, é preciso dessecularizar o ministério pastoral.
Todos nós sabemos que o ministério pastoral é um oficio espiritual, mas nesse mundo secularizado de hoje, onde muitas pessoas não conseguem enxergar além de uma visão materialista e ultrajante em todas as dimensões, precisamos lembrar que o mesmo Jesus que nos chamou para apascentar, nos chamou para o fazer por uma dádiva espiritual e não secularizada. Todos os instrumentos que utilizamos para o progresso do Evangelho são de grande importância, mas nada pode substituir a cruz de Cristo, de onde vem toda fonte de amor, dedicação sacrificial, entrega e devoção à chamada para apascentar. Precisamos de pastores que realmente conheçam o coração de Deus, como diz a Bíblia Sagrada: “Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração, que vos apascentem com conhecimento e com inteligência” (Jr 3.15).

Pastores estereotipados de "executivos" e de “super ungidos” são desnecessários para o rebanho. Um pastor precisa ser gente como seu rebanho, no mesmo arquétipo do próprio Cristo, vivendo como nós, passando a ser um de nós, sem negar a sua essência humana. Já ouvi de pastores que não se misturam com seus rebanhos para não parecer um deles. Isso é um fracasso no ministério pastoral, porque nenhuma liderança que é imposta por ostentação, por falsa impressão será valorizada. Podem até lhe aplaudir, mas no fundo saberão, que não passa de elucubrações humanas.

Que a chamada pastoral seja mais valorizada e que possamos nos aventurar em caminhar nos dedicando à fundo na chamada e na vocação que o Senhor nos tem confiado, atendendo a vocação de apascentar o rebanho de Deus e alcançando respeito diante dos homens como afirmou o apóstolo Paulo: “Assim, pois, importa que os homens nos considerem como ministros de Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus” (I Co 4.1).

10/07/2013

Vista a Armadura de Deus

Tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, ficar firmes.Estai, pois, firmes, tendo cingidos os vossos lombos com a verdade, e vestida a couraça da justiça;E calçados os pés na preparação do evangelho da paz;Tomando sobretudo o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno.Tomai também o capacete da salvação, e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus; (Ef 6:13-17)

Todos os dias enfrentamos batalhas, seja na profissão, no lar, com nossos amigos. Onde quer que estejamos, temos lutas e obstáculos a transpor.

Mas precisamos estar preparados para essas batalhas. A lição base para todo cristão é vestir a armadura de Deus todos os dias ao se levantar. Sim, isso implica em orar todas as manhãs pedindo a Deus que nos revista com sua armadura, nos exatos termos do texto de Efésisos, descrito acima.

Portanto, é muito importante saber como vestir essa armadura e é isso que aprenderemos agora.

1. Cinturão da verdade

É o primeiro adereço a ser colocado. Há uma cultura social de que pequenas mentiras, supostamente inofensivas, não trazem prejuízos, mas isto não é verdade. A bíblia nos ensina que a mentira não vem de Deus: Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira.(8:44).

Portanto, aquele que mente, por menor que seja a mentira,torna-se vulnerável, pois abre mão de uma parte importante de sua armadura. Então, não importa quais sejam seus motivos, seja sempre verdadeiro. Você não é obrigado a responder tudo o que te perguntam e nem a passar todas as informações que te solicitam, tenha sabedoria e não abra mão de seu cinturão da verdade.

2.Couraça da Justiça

A couraça é a indumentária que tem como objetivo proteger os órgãos vitais, como coração, pulmões, fígado etc. Muitos brasileiros se orgulham do rótulo de que somos o país do "jeitinho", da malandragem. O problema é que a injustiça, é como uma droga. Tudo começa com o desrespeito a um sinal de trânsito, nada demais. Depois, passa a ser uma fofoca contra um colega, tão comum, não? Depois passa a não devolução de algumas moedas de um troco errado, o que tem de mais todos fazem isso, não é mesmo? Quando a pessoa se dá conta, o seu corpo já está agindo em função da corrupção. Guarde o seu coração e o seu corpo dos malefícios da injustiça, não caia na ilusão de que algo errado possa te trazer alguma vantagem. Nenhum dinheiro, vitória ou promoção pessoal valem o preço de uma vida. Portanto: Não cometereis injustiças no juízo, nem na vara, nem no peso, nem na medida. Balanças justas, pedras justas, efa justa e justo him tereis. Lv 19:35-36. Seja sempre justo, consigo mesmo e com seus semelhantes,  inclusive nas pequenas coisas, e nunca dispa-se de sua couraça da justiça

3. Calçados os pés na preparação do evangelho da paz

O evangelho de Cristo nos traz muitas orientações quanto aos caminhos que devemos andar, sendo o principal deles o que diz  Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela;(Mt. 7:13). Precisamos calçar nossos pés nesse caminho, o evangelho de Cristo, a fim de que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente.(Ef. 4:13). Se Deus nos deu orientações a seguir é porque existe a forma correta de seguir seus caminhos e não devemos seguir o que "achamos" que é correto.

Um problema de matemática pode ser resolvido de várias formas, mas de acordo com os objetivos propostos, existe a fórmula correta para encontrar o resultado pretendido. Não adianta eu querer utilizar uma fórmula de multiplicação, por achar mais fácil, se o correto é utilizar uma fórmula de divisão.Devemos, portanto, proteger nossos pés de maus caminhos, seguindo sempre os passos que Jesus traçou para nós.

4. Escudo da Fé

Se você utiliza o escudo da fé com habilidade, não importa qual ataque possa estar sofrendo, nada te abalará. Se alguém te disser que você é um derrotado, pela fé você saberá que em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou. (Rm 8:37). Se alguém disser que Deus te esqueceu, saberá que Ele é o teu Deus, o teu refúgio, a tua fortaleza, e nele confiará. (Sl 91:2). Se alguém disser que você está sofrendo muito, saberá que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada.(Rm 8:18).

Aquele que usa o escudo da fé em seu dia a dia, está protegido de toda seta lançada contra o seu coração, permanecendo forte para a batalha.

5. Capacete da salvação

Nossa mente é o local onde se travam todas as nossas batalhas. É o local onde todas as nossas decisões são tomadas e é por isso que é tão importante que esteja protegida de ataques externos de maneira que devemos manter cativo todo o entendimento à obediência de Cristo (2 Co 10:5). Ao vestir o capacete da salvação e manter nossos pensamentos em Cristo, nos livramos das tentações diárias, que nos levam a errar. Por isso, precisamos nos manter sóbrios em todo o tempo: Sede sóbrios; vigiai; (1Pe 5:8). Quando abrimos mão do controle de nossas mentes e decisões, abrimos espaço para tragédias, como acidentes, más opções, crimes. Detenha o controle de sua mente em todo o tempo, para descansar você não precisa abrir mão da sobriedade, esteja sempre alerta e ciente de tudo o que está acontecendo ao seu redor, a fim de que possa sempre tomar decisões corretas, pautadas nos caminhos do Senhor.

6. Espada da Palavra

A palavra de Deus é a arma que devemos utilizar em nossas batalhas. A Bíblia é a palavra de Deus.

Portanto, quando estiver diante de algum desafio da vida, não fique parado, aguardando ser devorado, parta para o ataque, através da palavra de Deus, pois está escrito: no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.(Jo 16:33) e Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?(Rm 8:31).

Portanto, não se deixe abater, fique firme e aguarde a ordem do Senhor e há de ser que, ouvindo tu um ruído de marcha pelas copas das amoreiras, então sairás à peleja; porque Deus terá saído diante de ti, para ferir os teus inimigos (1 Co 14:15), pois Toda a ferramenta preparada contra ti não prosperará, e toda a língua que se levantar contra ti em juízo tu a condenarás; esta é a herança dos servos do SENHOR, e a sua justiça que de mim procede, diz o SENHOR.(Is. 54:13)

Essa é a utilidade de cada item da armadura de Deus. E aí, já vestiu sua armadura hoje? Se não, o que está esperando para se proteger? Vá agora mesmo a presença de Deus e declare a Ele que está vestindo sua armadura, declamando item por item e, então, use-os.

Pare de enfrentar batalhas sem proteção, a armadura de Deus é gratuita e está disponível a todos que quiserem utilizá-la.

Deus está contigo, hoje, amanhã e sempre.

Transcrito

09/07/2013

JESUS NOSSO DESCANSO

O sábado em Jesus e na Nova Aliança não é relacionado ao legalismo. É relacionado com entrar no repouso e viver desfrutando da presença de Cristo, o Senhor do sábado. No contexto do sábado, Jesus que é o Senhor e Criador do sábado disse:

“Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma” (Mt 11.28-29).

Os judeus estavam sobrecarregados pelo fardo dos fariseus, as exigências da lei e as tradições judaicas para serem salvos. O generoso convite de Jesus destina: “a todos os que estais cansado, aflitos e oprimido”.

Jesus é o Senhor do sábado, Ele, portanto, oferece o verdadeiro descanso e o verdadeiro repouso. Quem vem a Jesus e torna-se Seu servo e faz a sua vontade, Ele o alivia de suas insuportáveis aflições e lhe dará descanso, paz, e seu Espírito Santo como guia. Deste modo podemos suportar as provações e inquietações da vida, com o auxílio e a graça de Deus.

Jesus chamou a todos para virem diante d’Ele encontrar e terem verdadeira libertação do sábado e descanso Nele, o Senhor do Sábado.

Em Deus repousamos: “Nós, porém, que cremos, entramos no descanso...” (Hb 4.3). Este repouso existe porque Deus repousa em nós através de Seu Filho Jesus Cristo. Viver no descanso do Senhor, é encontrar aceitação, paz, conforto e plenitude nos braços de amor do nosso amado Jesus, o Senhor e Criador do sábado. Este descanso é viver continuamente na presença do Senhor.

A plenitude do descanso em Cristo, é através do seu sangue, é o cessar do nosso esforço para realizar obras, ritos e dias que paguem o preço por nossos pecados. É depender do sangue de Jesus para cobrir a divida que o nosso pecado tem feito, e nos justificar diante de Deus. A Divida foi paga, fomos lavados, limpos, purificados e novamente aceitos diante de Deus (Efésios 2.8-9).

A obra para assegurar a nossa permanência diante de Deus foi terminada através da obediência de Cristo, e Sua obra na Cruz. Por causa disso, nós temos o verdadeiro descanso. Devemos descansar somente em sua obra, através da fé, confiar apenas nela como meio de justificação, redenção, salvação e aceitação.

I. O DESCANSO SEGUNDO HEBREUS

“Ora, quais os que, tendo ouvido, se rebelaram? Não foram, de fato, todos os que saíram do Egito por intermédio de Moisés? E contra quem se indignou por quarenta anos? Não foi contra os que pecaram, cujos cadáveres caíram no deserto? E contra quem jurou que não entrariam no seu descanso, senão contra os que foram desobedientes? Vemos, pois, que não puderam entrar por causa da incredulidade (Hb 3.16-18).

Os judeus israelitas “não puderam entrar” no descanso de Jeová porque a “incredulidade” deles impediu de usufruir da Terra Prometida de Canaã. O pecado de rebelião e incredulidade impediu a entrada no descanso de Deus. A possibilidade de o crente do Novo Testamento não entrar no repouso prometido por Deus é ilustrada pelos israelitas que deixaram de entrar na Terra Prometida após Moisés conduzi-los para fora do Egito (Nm 14.29; Dt 1.26). O escritor salienta duas coisas:

A. Os israelitas experimentaram o poder redentor de Deus (v.16), viram a obras poderosas de Deus (Hb 3.9), porém se tornaram desobedientes (v.18) porque não queriam crer nas promessas de Deus, nem acatar as suas advertências (v.19). Por isso, morreram no deserto (v.17) e deixaram de entrar na Terra Prometida.

B. As experiências iniciais que os israelitas tiveram com Deus não garantiram sua chegada em paz a Canaã. Ao deixarem de perseverar, desprezaram sua única fonte de segurança: a graça, misericórdia e a presença do Deus vivo (v.12).

II. REPOUSO DA FÉ, HEBREUS 4

“A palavra descanso” neste trecho é aplicada a três coisas, a saber:

a) Ao descanso do sábado, instituído na criação (vv. 3-4).

b) Ao descanso da Terra Prometida (v.5).

c) Ao descanso que Davi previu: o descanso do Evangelho, que se encontra somente em Cristo (vv.7-8).

Destes três descansos aprendemos:

a)   Que o sábado é figurado (Cl 2.16-17), um tipo de descanso do coração que se acha em Cristo.

b)   Que o descanso na terra era também típico, pois Josué tivesse dado o descanso final que Deus propusera, Davi não teria falado de outro descanso (v. 8):

“Portanto, resta um repouso para o povo de Deus”. Que repouso é este? O repouso da criação resultou de uma obra consumada. O repouso na obra de Cristo, este glorioso descanso de Deus, resultou de “Esta consumado” e n’Ele entraram aqueles que repousam das suas obras (Hb 4.10).

“Temamos, portanto, que, sendo-nos deixada a promessa de entrar no descanso de Deus, suceda parecer que algum de vós tenha falhado” (Hb 4.1).

Se os antigos israelitas fracassaram em entrar no descanso, todos devem tomar cuidado para que também não falhem na entrada da benção. A exortação “temamos”, enfaticamente adverte os leitores a não serem complacentes. A geração de israelitas, para as quais o descanso estava prometido, o perdeu. Devemos prestar atenção a fim de não cometermos o mesmo engano e perdermos o prêmio eterno.

“Porque também a nós foram anunciadas as boas-novas, como se deu com eles; mas a palavra que ouviram não lhes aproveitou, visto não ter sido acompanhada pela fé naqueles que a ouviram” (Hb 4.2).

Deixar de perseverar na fé e na obediência a Jesus, resulta em deixar de alcançar o prometido repouso eterno no céu (cf. 11.16; 12.22-24). A expressão “parece que algum de vós” é falado à luz dessa possibilidade terrível e do juízo de Deus. A perseverança na fé exige que continuemos a nos aproximar de Deus, por meio de Cristo (o nosso descanso), com sinceridade resolução (v.16; 7.25).

“Nós, porém, que cremos, entramos no descanso, conforme Deus tem dito: Assim, jurei na minha ira: Não entrarão no meu descanso. Embora, certamente, as obras estivessem concluídas desde a fundação do mundo” (Hb 4.3).

Somente nós, que temos crido na mensagem salvadora de Cristo, entraremos no repouso espiritual de Deus. Isso é, Cristo carrega nossos fardos e nossos pecados, e nos dá o “repouso” do Seu perdão, da sua salvação e do Espírito Santo (Mt 11.28). Mesmo assim, nesta vida, o nosso repouso é apenas parcial, (Mq 2.10) porque somos peregrinos que caminhamos com dificuldade na penosa estrada deste mundo. Ao morrermos no Senhor, entraremos no Seu repouso perfeito no céu.

“Porque, em certo lugar, assim disse, no tocante ao sétimo dia: E descansou Deus, no sétimo dia, de todas as obras que fizera” (Hb 4.4).

No sentido etimológico a palavra “descansou Deus” que significa: cessou sua obra; parou; terminou a obra da Sua criação.

No Velho Testamento, o Senhor Jeová santificou o sétimo dia e deu como Aliança perpetua a Israel (Êx 20.8) e reservou este dia para que os israelitas cultuassem e adorasse ao Senhor Deus (Êx 16.27; 31.12-17). Porém a Igreja primitiva recebeu o descanso em Cristo e passou a cultuar o Senhor no primeiro dia da semana “O Dia Do Senhor” (Ap 1.10).

O sábado, que era sombra dos bens futuros em Cristo, foi abolido com a chegada do Novo Testamento (Hb 8.7-13; Os 2.11). Portanto, é Jesus quem nos propicia o verdadeiro repouso: “Portanto, resta um repouso para o povo de Deus” (Hb 4.9). O repouso prometido por Deus não é somente o terrestre, mas também o celestial (vv. 7-8; cf 13.14). Para os crentes, resta ainda o repouso eterno no céu (Jo 14.1-3; cf. Hb 11.10, 16). Entrar nesse repouso final significa cessar o labor, dos sofrimentos e da perseguição, tão comuns em nossa vida nesta terra (Ap 14.13); significa participar do repouso do próprio Deus e experimentar eterna alegria, deleite, amor comunhão com Deus e com os santos redimidos. Será um descanso sem fim (Ap 21.22).

“Porque aquele que entrou no descanso de Deus, também ele mesmo descansou de suas obras, como Deus das suas” (v.10).

O autor aos hebreus definiu a entrada no descanso de Deus para o crente como “descanso de suas obras, exatamente como Deus fez”. Em certo sentido, receber salvação significa parar de se basear nas próprias obras e descansar no que Cristo fez (Ef 2.8-9). Também, em outro sentido, as obras realizadas no Senhor incorporam a plenitude e o cumprimento que provém somente da entrada no descanso em Deus. A perícope deste contexto não é a guarda do sábado ou e algum mandamento neste sentido, mas trata-se da plenitude do verdadeiro descanso em Cristo Jesus.

Transcrito

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